Jorge Cabeleira / Download de Alugam-se Asas para o Carnaval

Fonte: Divulgação

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A fanpage oficial da excelente Jorge Cabeleira e o Dia que Seremos Todos Inúteis discretamente colocou uma imagem avisando que seu segundo disco, (quase) desconhecido Alugam-Se Asas para o Carnaval está disponível para download via Soundcloud.

Eu ouvi o primeiro disco desses caras até estragar o CD. Jorge Cabeleira e o Dia que Seremos Inúteis é um dos grandes novos clássicos nacionais e que teve até uma boa divulgação via MTV com o pout-pourri de O Cheiro da Carolina e O Xote das Meninas, de Luiz Gonzaga. Há menos de um ano os caras voltaram à ativa e parece que os dois primeiros CDs estão sendo remasterizados e uma coletânea que virá com duas músicas inéditas.

Gosto demais desse segundo disco e acho que ele é tão bom quanto o de estreia. Aproveitem e ouçam que vale muito a pena. Curtam lá no Facebook e acompanhem os trabalhos dos caras, porque o pessoal da banda andou mexendo no conteúdo, o que mostra que será um excelente canal de divulgação.

Pra quem não lembra, segue abaixo o videoclipe que fez muita gente bater cabeça nos anos 90.

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Daniel Zé / Memórias Meio Inventadas

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Aos primeiros acordes de Ostras, primeira música de  Memórias Meio Inventadas, Daniel Zé já dá o tom do que permeia seu primeiro disco solo: musicalidade, introspecção e melodias bem estruturadas. Da primeira à última faixa, há uma profusão de elementos variados, trazendo pessoalidade a cada uma das composições. Se em Mais Um Dia, ele passeia pelo rock´n roll chiclete (e um excelente chiclete), em Seu Mundo e Bonitinha ele evoca um romantismo antiquado para os padrões atuais, mas apaixonado, resultado de referências variadas trazidas ao longo da carreira.

Há sentimento em cada uma das canções, claramente uma mistura de influências de passado/presente/futuro, flertando com o contemporâneo, mas sem esquecer da modernidade sonora, uma mistura que dá certo no trabalho do cantor/guitarrista. Esse amálgama fica ainda mais evidente nas ótimas Memórias Meio Inventadas, Pró-C e Milícia, canções fortes e que refletem em suas letras o coletivo e a realidade. Além disso, nota-se que há uma cadência escolhida com muito cuidado para ordem das faixas, que fluem e se complementam. Até o projeto gráfico e as fotos parecem ter sido feitos para funcionar como uma peça só, visando expressar uma unidade visual/sonora. Este perfeccionismo e minuciosidade agregam muito valor à obra, fazendo com que o trabalho tenha algo que tem faltado muito na cena musical brasileira: personalidade e alma.

Um dos favoritos do ano, certamente.

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“Memórias Meio Inventadas”

 Daniel Zé

 Site: www.danielze.com.br

 Fanpage: www.facebook.com/danielzeoficial

Eu e meus velhos Compact Discs

dsc01787Podem me chamar de velho, sem problemas, mas eu adoro CD.

Estava eu fazendo uma daquelas coletâneas que tanto gosto, jogando arquivo .mp3 pra lá e pra cá (sim, vc pode ser um colecionador de CD e usar arquivo MP3, porque para montar coletâneas extensas você pode converter sem problemas pra caber mais no próprio CD editável. Somos saudosos, não ogros) e fiquei pensando em como essa coisa do arquivo digital ajudou a deixar tudo mais rápido e ágil, mas está acabando com a graça real de se pegar um CD na mão, que é o encarte.

Pô, é sensacional pegar o encarte do CD cheirando a novinho depois de rasgar o maldito plástico com um clip ou algo pontiagudo, o que geralmente fazia você riscar a caixinha de acrílico, e retirar o encarte com todo cuidado no manuseio. As letras, o projeto gráfico, tudo era motivo de crítica ou admiração. Meu primeiro Afrociberdelia veio com um estojo laranja, que conservo até hoje. Titanomaquia veio num mini saco de lixo. O encarte de Melon Colie and the Infinite Sadness tem um dos projetos gráficos mais lindos que já vi. E haviam os CDs duplos, como o The Wall, que provavelmente iria chegar com a parte do encaixe já quebrada. Normal, a gente ficava puto na hora, mas passava por cima em questão de minutos por um encarte decente. E quando o encarte era ruim, havia a decepção inicial, mas nada que uma boa produção musical da banda não fizesse com que tudo isso fosse esquecido rapidamente. Foram muitos Mudhoneys neste esquema pra começar a filtrar melhor…

E mesmo ainda colecionando CDs originais, eu fico meio receoso com essa nova tecnologia, por mais prática que seja. Agora, depois da manipulação do MP3, eu ainda tenho a oportunidade de jogar uns 4 Giga de música num pendrive que fica pendurado na parte frontal do rádio. Fica feio, sem graça, completamente fora da estrutura, mas pra um fã da boa musicalidade, acabou imprescindível no dia a dia, principalmente no trânsito caótico de São Paulo. Pego meu porta-CDs e penso que todos os 20 discos que ali estão ocupariam uns 20% de um pendrive. Dá desânimo, mas não consigo ainda viver só do digital. Pelo menos enquanto bandas como Pearl Jam tomarem o devido cuidado com a produção visual do CD, meu dinheiro eles sempre vão levar, ainda mais porque vejo o download de discos mais como uma degustação, na verdade. Não se engane: devo ter mais de Terabyte de músicas, muitas delas já convertidas em compra de CDs originais pois valem a pena. Também já deixei de comprar muita coisa que, em outras épocas, compraria sem medo por causa do MP3, que me salvou principalmente do último disco solo do Chris Cornell. E eu nem comecei a falar ainda da falta que sinto de encontrar CD nas lojas. Garimpar é legal, mas viver de bacião da Americanas e busca errada no Submarino é um parto.

E pra você que está lendo e pensando “cara, que papo chato. Baixa tudo e pronto” eu só te digo uma coisa: você nunca deve ter sentido como é legal ter tido um álbum de figurinhas.