Eu e meus velhos Compact Discs

dsc01787Podem me chamar de velho, sem problemas, mas eu adoro CD.

Estava eu fazendo uma daquelas coletâneas que tanto gosto, jogando arquivo .mp3 pra lá e pra cá (sim, vc pode ser um colecionador de CD e usar arquivo MP3, porque para montar coletâneas extensas você pode converter sem problemas pra caber mais no próprio CD editável. Somos saudosos, não ogros) e fiquei pensando em como essa coisa do arquivo digital ajudou a deixar tudo mais rápido e ágil, mas está acabando com a graça real de se pegar um CD na mão, que é o encarte.

Pô, é sensacional pegar o encarte do CD cheirando a novinho depois de rasgar o maldito plástico com um clip ou algo pontiagudo, o que geralmente fazia você riscar a caixinha de acrílico, e retirar o encarte com todo cuidado no manuseio. As letras, o projeto gráfico, tudo era motivo de crítica ou admiração. Meu primeiro Afrociberdelia veio com um estojo laranja, que conservo até hoje. Titanomaquia veio num mini saco de lixo. O encarte de Melon Colie and the Infinite Sadness tem um dos projetos gráficos mais lindos que já vi. E haviam os CDs duplos, como o The Wall, que provavelmente iria chegar com a parte do encaixe já quebrada. Normal, a gente ficava puto na hora, mas passava por cima em questão de minutos por um encarte decente. E quando o encarte era ruim, havia a decepção inicial, mas nada que uma boa produção musical da banda não fizesse com que tudo isso fosse esquecido rapidamente. Foram muitos Mudhoneys neste esquema pra começar a filtrar melhor…

E mesmo ainda colecionando CDs originais, eu fico meio receoso com essa nova tecnologia, por mais prática que seja. Agora, depois da manipulação do MP3, eu ainda tenho a oportunidade de jogar uns 4 Giga de música num pendrive que fica pendurado na parte frontal do rádio. Fica feio, sem graça, completamente fora da estrutura, mas pra um fã da boa musicalidade, acabou imprescindível no dia a dia, principalmente no trânsito caótico de São Paulo. Pego meu porta-CDs e penso que todos os 20 discos que ali estão ocupariam uns 20% de um pendrive. Dá desânimo, mas não consigo ainda viver só do digital. Pelo menos enquanto bandas como Pearl Jam tomarem o devido cuidado com a produção visual do CD, meu dinheiro eles sempre vão levar, ainda mais porque vejo o download de discos mais como uma degustação, na verdade. Não se engane: devo ter mais de Terabyte de músicas, muitas delas já convertidas em compra de CDs originais pois valem a pena. Também já deixei de comprar muita coisa que, em outras épocas, compraria sem medo por causa do MP3, que me salvou principalmente do último disco solo do Chris Cornell. E eu nem comecei a falar ainda da falta que sinto de encontrar CD nas lojas. Garimpar é legal, mas viver de bacião da Americanas e busca errada no Submarino é um parto.

E pra você que está lendo e pensando “cara, que papo chato. Baixa tudo e pronto” eu só te digo uma coisa: você nunca deve ter sentido como é legal ter tido um álbum de figurinhas.

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