Gork / Daniel Zé / Apanhador Só

Tomorrow Teknik / Memórias Meio Inventadas / Antes que tu conte outra adicionados à playlista da Rádio Online Reverberre!

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Os melhores discos de 2013

Depois de quase 200 discos nacionais (a maioria, independentes) ouvidos durante o ano de 2013, fica difícil escolher somente 10, mas vamos lá.

Estes 10 foram selecionados levando em conta vários aspectos, entre eles aspectos técnicos/visuais do CD, conteúdo das letras (algo que está muito difícil de encontrar nos dias de hoje), entre outras coisas mas, principalmente, são aqueles que melhor conseguiram expressar uma identidade musical. Atualmente, temos muito mais emuladores sonoros do que bandas em si, infelizmente.

Enfim, segue a lista. Sem ordem de preferência. São apenas os 10 melhores deste ano.

The Baggios / Sina

The Baggios / Sina

Difícil não colocar esse disco entre os melhores do ano passado. Tecnicamente impecável, visualmente sensacional e com uma musicalidade única, o duo de Sergipe conseguiu unir rock clássico, guitarras e bateria frenéticas, e muita referência nordestina. Visite o site.

Apanhador Só

Apanhador Só / Antes que tu conte outra

Depois de um projeto bem sucedido via Catarse, o segundo disco da banda do Rio Grande do Sul tem elementos para agradar a todos, mesmo fuçando bastante com a experimentação. Visite o site.

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Meia Dúzia de 3 ou 4 / O fim está próspero

Apesar de ter sido lançado no final de 2012, vale a pena incluir esse projeto entre os melhores. De sonoridade impecável, a banda ainda teve tempo de bolar um projeto inusitado para este segundo disco, lançando uma música (com clipe) durante cada mês de 2012, além de abrir espaço para colaboração de fãs, participação de grandes compositores, como Tom Zé, Maurício Pereira, Arrigo Barnabé, entre outras coisas. Visite o Site.

sombraSombra / Fantástico Mundo Popular

Em 99% das listas deste ano você vai encontrar o excelente CD novo do Emicida, mas eu simpatizei muito mais com o do Sombra. Velocidade na língua, popular nas letras e na cultura. Visite o site.

daniel zé memorias meio inventadas

Daniel Zé / Memórias Meio Inventadas

Quietinho na divulgação, pelo menos por enquanto, esse é um disco pra ouvir em qualquer lugar, a qualquer momento. Escrevi mais sobre ele aqui. Visite o Site.

camarones

Camarones Orquestra Guitarrística / O curioso caso da música invisível

Em seu terceiro disco, a banda potiguar continua seu projeto idescompromissado, divertido e dinâmico, tornando popular o conceito de musicalidade instrumental. Visite o site.

Passo Torto_Passo Eletrico

Passo Torto / Passo Elétrico

Neste segundo álbum, o Passo Torto parece ter brincado de desconstrução. Sai a harmonia coesa do primeiro disco para a entrada de riffs sujos, guitarras distorcidas e a individualidade predominante de cada um de seus integrantes, tudo isso viajando na poesia urbana que escancara portas, mentes e rótulos. Visite o site.

clave de clovis

Clave de Clóvis / Nelsonrodrigueando a tal da Música Popular Brasileira

Outro disco do final de 2012 entrando na lista, mas o segundo disco da Clave de Clóvis merece respeito. Falei mais sobre ele aqui. Visite o site.

talma

Talma e Gadelha / Maiô

Apesar de gostar mais do primeiro (e descompromissado) disco, Maiô é fluente em sonoridade pop dançante, brinca com a MPB, sem esquecer de fazer um bom rock´n roll divertido e ágil. Visite o Site.

cerebro

Cérebro Eletrônico / Vamos pro Quarto

O Cérebro Eletrônico não limita seu experimentalismo a críticas, letras e melodias. Boca suja em vários momentos, pode ser difícil para o ouvido despreparado, mas a miscelânea de sonoridades é ímpar. Visite o Site.

Playlist 01

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A boa música brasileira não morreu, não. Só anda meio escondida…

Pra dar uma força e organizar um pouco as dicas, montamos uma playlist no Youtube para que você conheça algumas das bandas/cantores que realmente valem a pena no atual cenário musical. Aí fica mais fácil, só clica aí no play  sem medo!

01. Clave de Clóvis / Dona Cida (www.clavedeclovis.com)
02. The Baggios / Sina (www.thebaggios.com.br)
03. Supercordas / Orquestra de Mil Martelos (www.supercordas.tumblr.com)
04. Meia Dúzia de 3 ou 4 / 365 Bons Motivos pro Mundo Acabar (www.meiaduziade3ou4.com.br)
05. Daniel Zé / Mais um Dia (www.danielze.com.br)
06. Maquinado / Dandara (www.maquinado.com.br)
07. Sombra / Piada Cabeluda (www.mcsombra.com.br)
08. Tom Zé / Tom Zé Mané (www.tomze.com.br)
09. Scalene / Sonhador II (www.bandascalene.com.br)
10. Trampa / Desfaz no Vento (www.tramparock.com.br)

Se você conhece alguma banda legal para entrar no próximo playlist, é só enviar pra gente no reveberre@gmail.com

Daniel Zé / Memórias Meio Inventadas

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Aos primeiros acordes de Ostras, primeira música de  Memórias Meio Inventadas, Daniel Zé já dá o tom do que permeia seu primeiro disco solo: musicalidade, introspecção e melodias bem estruturadas. Da primeira à última faixa, há uma profusão de elementos variados, trazendo pessoalidade a cada uma das composições. Se em Mais Um Dia, ele passeia pelo rock´n roll chiclete (e um excelente chiclete), em Seu Mundo e Bonitinha ele evoca um romantismo antiquado para os padrões atuais, mas apaixonado, resultado de referências variadas trazidas ao longo da carreira.

Há sentimento em cada uma das canções, claramente uma mistura de influências de passado/presente/futuro, flertando com o contemporâneo, mas sem esquecer da modernidade sonora, uma mistura que dá certo no trabalho do cantor/guitarrista. Esse amálgama fica ainda mais evidente nas ótimas Memórias Meio Inventadas, Pró-C e Milícia, canções fortes e que refletem em suas letras o coletivo e a realidade. Além disso, nota-se que há uma cadência escolhida com muito cuidado para ordem das faixas, que fluem e se complementam. Até o projeto gráfico e as fotos parecem ter sido feitos para funcionar como uma peça só, visando expressar uma unidade visual/sonora. Este perfeccionismo e minuciosidade agregam muito valor à obra, fazendo com que o trabalho tenha algo que tem faltado muito na cena musical brasileira: personalidade e alma.

Um dos favoritos do ano, certamente.

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“Memórias Meio Inventadas”

 Daniel Zé

 Site: www.danielze.com.br

 Fanpage: www.facebook.com/danielzeoficial

Clave de Clóvis / Nelsonrodrigueando a tal da Música Popular Brasileira

Se no excelente primeiro disco, Surbvesivo, a Clave de Clóvis trabalhou ironia e sarcasmo em suas letras, e a diversidade em suas músicas, o segundo disco, Nelsonrodrigueando a tal da Música Popular Brasileira, segue um caminho similar, mas com uma pegada mais crua, direta e sem medo.

Já nos primeiros acordes da introdução, a banda mostra que não vai poupar ninguém (“Eu comprei em Miami a minha atitude de rua / Eu comprei e Miami, eu compro a minha e a sua…”), e a primeira música, Dona Cida, é um tapa na orelha do ouvinte, rock n’roll cru e direto no meio do tímpano. E o conceito musical baseado na obra do não-compreendido Nelson Rodrigues tem início.

A banda levou muito a sério o parafrasear do título com as obras da literatura, porque o tom de lascívia e imoralidade (mal compreendidos pela maior parte das pessoas na obra de Nelson Rodrigues) estão presentes em cada acorde e palavra, assim como a inegável visão realista, popular e desgostosa da era moderna. Músicas como Frêvulo, Calma, Samba 5, Funkadão eNelsonrodrigueando exalam o autor a todo momento, mas há mais no novo trabalho da Clave de Clóvis: uma visão política e que anda meio ausente na música atual.

Não é todo dia que você ouve versos como “É então que a surpresa, a razão e a Tropa de Choque / Te colocam de volta a caverna com a promessa de morte / A justiça, a bondade, a TV e os agentes da paz / Te ensinam que o mais importante na vida é ter calma (e medo)”, ou algo tão contundente como em Contrafogos (“O acordo assassino entre fardas e gravatas / Magistrados e gavetas vem pulsando na TV / Comemoram com canetas chafurdando uns nos outros / Dividindo as mesmas putas da vitória tão maldita”). Em um momento no País em que há cada vez mais informação, mas falta atitude e interesse, músicas assim são uma forma de protesto, mesmo que abafado pela grande mídia. Mas, ainda assim, um protesto e uma demonstração de indignação.

Se eles buscaram uma forma de homenagear o incompreendido autor com o disco, acertaram em cheio. Se não, acertaram também. Não há músicas aleatórias, todas seguem um conceito préconcebido e está claro nas composições que a banda sabia o caminho que queria seguir e o que queria dizer.

E essa é a Clave de Clóvis, um menino que vê o mundo pelo buraco da fechadura, sem medo de dizer o que pensa, tampouco se preocupa com o que vão pensar dele.

PS: Os caras tem um site super bem feito e dá para adquirir o CD lá por R$ 7,00 + frete. Vale muito a pena.