Vivendo e Não Aprendendo

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Exatos 10 anos depois, uma nova edição de Dias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80, de Ricardo Alexandre,  surge em minha vida. Uma década atrás, esse livro reescreveu boa parte de como eu via o movimento musical que permeou boa parte da minha adolescência e me fez ter uma curiosidade sobre como chegamos até aquele momento. Afinal, havia Plebe Rude, mas também havia RPM e, mesmo parecendo similares, estão a anos luz de distância em termos de trabalho e fundamentação, mesmo que o grande público não conseguisse enxergar. E não havia ninguém que ainda houvesse conseguido sintetizar essa dicotomia em palavras, explicando passo a passo essas nuances durante a ressaca pós anos 70. Dias de Luta foi um marco na organização das ideias, casos e histórias de uma geração que mudou a cara do rock brasileiro, para o bem ou para o mal. E uma grande sacada foi dar os devidos destaques aos movimentos não agregados pela grande mídia, como o punk e o rap, que tiveram seus respectivos valores respeitados na obra.

O livro é farto em informação, um registro definitivo da época. Nele você vai encontrar fatos detalhados de como foi a mudança de trajetória dos Tropicalistas para o escracho dos primórdios do rock brasileiro, e como a indústria usou isso em seu favor, ganhando muito dinheiro e sugando o que dava do movimento. Vai ter uma visão geral de bandas em início de carreira, como o Titãs, Paralamas, Legião, Plebe Rude, entre muitos, as adversidades, parcerias e como se comportou uma geração que, além de uma transição musical, enfrentava uma mudança política e econômica, e como isso repercutiu no conteúdo das composições. Como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outras localidades, tinham suas próprias peculiaridades e como isso convergiu para a exaustão completa do segmento. Qual a importância do movimento punk de São Paulo, os “jabás” e os programas de televisão, como artistas driblaram a censura da época e usavam o sarcasmo em suas letras, bandas que foram estruturadas e planejadas conforme padrões internacionais, os incompreendidos e aqueles que não quiseram ceder ao sistema. Tudo isso somado a vários depoimentos, casos, influências e fotos da época, mostrando o ápice da cultura pop brasileira.

Obrigatório não apenas para quem quer conhecer um pouco mais da música brasileira, mas também para quem quer conhecer um ponto de vista histórico sobre o sofrível momento do Brasil.

PS: A nova edição atualizada incorpora muitas informações novas, citando mudanças e updates até 2012 (acredito que a informação mais recente é a volta da 89 FM) e artistas que faleceram. Além disso, há um apêndice com as 50 melhores músicas dos anos 80 selecionadas pelo autor. Há também um ótimo Video Release online.

Agradecimentos especiais a Alan Nisiyamamoto por ter me emprestado o livro na década passada, e para Rafa e Tati, que me agraciaram com um presente fantástico.

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img-1014066-dias-de-lutaDias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80

Ricardo Alexandre

Editora Arquipélago / 440 pág.

Info: http://www.arquipelagoeditorial.com.br/diasdeluta/o-livro/

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