Reverberre

 

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Depois de pesquisar e testar por praticamente dois anos, o projeto Reverberre tomou forma. Havia várias ideias sobre como a ferramenta deveria ser desenvolvida, mas nada muito sintetizado. Um site? Um blog? Um portal? Na verdade, o que havia era uma grande vontade de resolver uma questão que incomoda há tempos: ainda existe boa música brasileira ou o que nos resta é essa podridão que está nas rádios no momento? Eu, mesmo acostumado com a velocidade da internet, admito que raras vezes encontrei algo no meio de tanta informação. E parte do problema era esse: como separar, de forma prática, a quantidade absurda de conteúdo e organizar um pouco a ponto de tornar-se prático para o usuário?

O conceito de Apertar o Play surgiu daí, de uma simplificação. Na verdade, o start de tudo isso veio mesmo de um texto do André Barcinski, em que ele pedia pro Fabio Massari indicar umas 5 bandas que ele estivesse curtindo. Nada mais do que isso, 5 bandas. Conhecer o que realmente valia a pena porque, por mais incrível que pareça, a saturação de informação gera, também, a ausência da mesma. Não há mecanismo de pesquisa que ajude com o que estamos trabalhando no momento. No entanto, isso é parte do contexto da internet e nós é que devemos nos adaptar. Por isso, o Reverberre tornou-se um player. A simplicidade foi explorada em tudo o que foi possível: é um player, portanto aperte o play e ouça. Se não gostou, pule para a próxima. E assim vai. Se não encontrou uma banda conhecida, indique. E inscreva-se para participar de promoções. É para curtir no trabalho, no celular, na TV conectada online, em uma festa.

Além de tudo isso, o que descobri durante este tempo é que existem sites e portais com tanta qualidade de informação que nem é necessário entrar como mais um concorrente. Sites como Scream and Yell, Tenho Mais Discos que Amigos, Na Mira do Groove, Reduto do Rock, Matilha Cultural, Vitrola Verde, entre tantos outros são referência para a busca de informações sobre música brasileira, principalmente os lançamentos. Além disso, blogs com o do Ricardo Alexandre, André BarcinskiRockblogs e programas de rádio como o Rock Sem Dono, por exemplo, conseguem traçar parâmetros mais abrangentes sobre o assunto, enriquecendo e trazendo força para bandas e artistas que realmente precisam de um novo foco e, principalmente, de divulgação. O blog do Reverberre continuará existindo, mas para mostrar fotos, dicas e, eventualmente, algum texto. Eventualmente.

Enfim, espero que o Reverberre tenha bastante visibilidade, porque ele foi desenvolvido para mostrar a boa música brasileira, esquecida pelos grandes meios de comunicação. Ainda bem que os novos artistas tem a cabeça voltada para outros objetivos, sem se preocupar com as grandes vendas do CD. O que eles querem é o básico: trabalhar. E pela qualidade das músicas que encontrei nessa minha busca, muitos merecem ter seus trabalhos divulgados. Sou um fã que gostava de gravar fitas cassete com músicas que gostava e entregava aos amigos. “Cara, você tem que ouvir isso”, “É a sua cara, tem que conhecer”. E montar esse projeto é minha forma de dizer ao mundo o que ando ouvindo no momento, uma coisa de fã mesmo, que quer compartilhar com todo mundo quando ouve uma música legal. Como deixo explicito: Artista, esse player é feito para você.

Espero que gostem. Foi feito com carinho e dedicação. Tem muita música boa no Brasil, e seria muito legal se as pessoas descobrissem isso. E se o Reverberre ajudar a dar um primeiro passo através de apenas um clique, o objetivo já foi alcançado. Ainda há muito a ser feito, mas como é um projeto independente, algumas funcionalidades só estarão disponíveis nos próximos meses. Mas o start já foi dado e os resultados começam a surgir. E agradeço muito a todo muito que se envolveu e continua compartilhando no Facebook e no Twitter.

Portanto, aperta o play e Vai!

Sandro Cavallote (mar/14)

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Blogs – Ricardo Alexandre / 2013 no retrovisor: Vingança

O funk ostentação é o monstro gerado sob nossa paixão consumista, emergindo com fome.

Miley Cyrus arfando por atenção no Video Music Awards é constrangedor porque somos bobos: sempre haverá gente recorrendo ao sexo e à esfregação para voltar às manchetes. Agora, se 2013 teve um momento emblemático vindo de uma premiação musical televisiva, não foi Miley no estrangeiro, foi Anitta agradecendo uma das medalhas do Prêmio Multishow.

Leia mais.

Vivendo e Não Aprendendo

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Exatos 10 anos depois, uma nova edição de Dias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80, de Ricardo Alexandre,  surge em minha vida. Uma década atrás, esse livro reescreveu boa parte de como eu via o movimento musical que permeou boa parte da minha adolescência e me fez ter uma curiosidade sobre como chegamos até aquele momento. Afinal, havia Plebe Rude, mas também havia RPM e, mesmo parecendo similares, estão a anos luz de distância em termos de trabalho e fundamentação, mesmo que o grande público não conseguisse enxergar. E não havia ninguém que ainda houvesse conseguido sintetizar essa dicotomia em palavras, explicando passo a passo essas nuances durante a ressaca pós anos 70. Dias de Luta foi um marco na organização das ideias, casos e histórias de uma geração que mudou a cara do rock brasileiro, para o bem ou para o mal. E uma grande sacada foi dar os devidos destaques aos movimentos não agregados pela grande mídia, como o punk e o rap, que tiveram seus respectivos valores respeitados na obra.

O livro é farto em informação, um registro definitivo da época. Nele você vai encontrar fatos detalhados de como foi a mudança de trajetória dos Tropicalistas para o escracho dos primórdios do rock brasileiro, e como a indústria usou isso em seu favor, ganhando muito dinheiro e sugando o que dava do movimento. Vai ter uma visão geral de bandas em início de carreira, como o Titãs, Paralamas, Legião, Plebe Rude, entre muitos, as adversidades, parcerias e como se comportou uma geração que, além de uma transição musical, enfrentava uma mudança política e econômica, e como isso repercutiu no conteúdo das composições. Como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outras localidades, tinham suas próprias peculiaridades e como isso convergiu para a exaustão completa do segmento. Qual a importância do movimento punk de São Paulo, os “jabás” e os programas de televisão, como artistas driblaram a censura da época e usavam o sarcasmo em suas letras, bandas que foram estruturadas e planejadas conforme padrões internacionais, os incompreendidos e aqueles que não quiseram ceder ao sistema. Tudo isso somado a vários depoimentos, casos, influências e fotos da época, mostrando o ápice da cultura pop brasileira.

Obrigatório não apenas para quem quer conhecer um pouco mais da música brasileira, mas também para quem quer conhecer um ponto de vista histórico sobre o sofrível momento do Brasil.

PS: A nova edição atualizada incorpora muitas informações novas, citando mudanças e updates até 2012 (acredito que a informação mais recente é a volta da 89 FM) e artistas que faleceram. Além disso, há um apêndice com as 50 melhores músicas dos anos 80 selecionadas pelo autor. Há também um ótimo Video Release online.

Agradecimentos especiais a Alan Nisiyamamoto por ter me emprestado o livro na década passada, e para Rafa e Tati, que me agraciaram com um presente fantástico.

___________________!

img-1014066-dias-de-lutaDias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80

Ricardo Alexandre

Editora Arquipélago / 440 pág.

Info: http://www.arquipelagoeditorial.com.br/diasdeluta/o-livro/