Gork / Daniel Zé / Apanhador Só

Tomorrow Teknik / Memórias Meio Inventadas / Antes que tu conte outra adicionados à playlista da Rádio Online Reverberre!

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Reverberre

 

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Depois de pesquisar e testar por praticamente dois anos, o projeto Reverberre tomou forma. Havia várias ideias sobre como a ferramenta deveria ser desenvolvida, mas nada muito sintetizado. Um site? Um blog? Um portal? Na verdade, o que havia era uma grande vontade de resolver uma questão que incomoda há tempos: ainda existe boa música brasileira ou o que nos resta é essa podridão que está nas rádios no momento? Eu, mesmo acostumado com a velocidade da internet, admito que raras vezes encontrei algo no meio de tanta informação. E parte do problema era esse: como separar, de forma prática, a quantidade absurda de conteúdo e organizar um pouco a ponto de tornar-se prático para o usuário?

O conceito de Apertar o Play surgiu daí, de uma simplificação. Na verdade, o start de tudo isso veio mesmo de um texto do André Barcinski, em que ele pedia pro Fabio Massari indicar umas 5 bandas que ele estivesse curtindo. Nada mais do que isso, 5 bandas. Conhecer o que realmente valia a pena porque, por mais incrível que pareça, a saturação de informação gera, também, a ausência da mesma. Não há mecanismo de pesquisa que ajude com o que estamos trabalhando no momento. No entanto, isso é parte do contexto da internet e nós é que devemos nos adaptar. Por isso, o Reverberre tornou-se um player. A simplicidade foi explorada em tudo o que foi possível: é um player, portanto aperte o play e ouça. Se não gostou, pule para a próxima. E assim vai. Se não encontrou uma banda conhecida, indique. E inscreva-se para participar de promoções. É para curtir no trabalho, no celular, na TV conectada online, em uma festa.

Além de tudo isso, o que descobri durante este tempo é que existem sites e portais com tanta qualidade de informação que nem é necessário entrar como mais um concorrente. Sites como Scream and Yell, Tenho Mais Discos que Amigos, Na Mira do Groove, Reduto do Rock, Matilha Cultural, Vitrola Verde, entre tantos outros são referência para a busca de informações sobre música brasileira, principalmente os lançamentos. Além disso, blogs com o do Ricardo Alexandre, André BarcinskiRockblogs e programas de rádio como o Rock Sem Dono, por exemplo, conseguem traçar parâmetros mais abrangentes sobre o assunto, enriquecendo e trazendo força para bandas e artistas que realmente precisam de um novo foco e, principalmente, de divulgação. O blog do Reverberre continuará existindo, mas para mostrar fotos, dicas e, eventualmente, algum texto. Eventualmente.

Enfim, espero que o Reverberre tenha bastante visibilidade, porque ele foi desenvolvido para mostrar a boa música brasileira, esquecida pelos grandes meios de comunicação. Ainda bem que os novos artistas tem a cabeça voltada para outros objetivos, sem se preocupar com as grandes vendas do CD. O que eles querem é o básico: trabalhar. E pela qualidade das músicas que encontrei nessa minha busca, muitos merecem ter seus trabalhos divulgados. Sou um fã que gostava de gravar fitas cassete com músicas que gostava e entregava aos amigos. “Cara, você tem que ouvir isso”, “É a sua cara, tem que conhecer”. E montar esse projeto é minha forma de dizer ao mundo o que ando ouvindo no momento, uma coisa de fã mesmo, que quer compartilhar com todo mundo quando ouve uma música legal. Como deixo explicito: Artista, esse player é feito para você.

Espero que gostem. Foi feito com carinho e dedicação. Tem muita música boa no Brasil, e seria muito legal se as pessoas descobrissem isso. E se o Reverberre ajudar a dar um primeiro passo através de apenas um clique, o objetivo já foi alcançado. Ainda há muito a ser feito, mas como é um projeto independente, algumas funcionalidades só estarão disponíveis nos próximos meses. Mas o start já foi dado e os resultados começam a surgir. E agradeço muito a todo muito que se envolveu e continua compartilhando no Facebook e no Twitter.

Portanto, aperta o play e Vai!

Sandro Cavallote (mar/14)

Documentários sobre música brasileira. Online e grátis. – Parte 01

Conhecer um pouco mais de nossa cultura musical é imprescindível para que possamos cada vez mais fazer boa música. O rock só se beneficia com as influências diversas, sejam elas quais forem. Conhecimento é evolução.

Pensando nisso, o Reverberre reuniu 5 documentários obrigatórios para você saber mais da variedade e contrastes das bandas e artistas brasileiros. Há muitos outros, mas vamos reuni-los aos poucos. Caso queiram indicar algum que não esteja na lista, é só enviar um e-mail.

 

01. Manguebeat

Nem só de Chico Science e Nação Zumbi viveu o movimento Manguebeat. Bandas como Mundo Livre SA, Jorge Cabeleira, Sheik Tosado, Mestre Ambrósio, entre outras, mostraram a simbiose entre rock, pop e Recife como nenhuma outra antes.

 

02. Cartola – Música para os Olhos

Um dos maiores problemas da música atual são as letras. Não há consistência, não há lirismo, não há conteúdo. Uma canção só é completa quanto consegue passar sentimento e transportar quem está ouvindo para outra esfera. Cartola é isso. Sua história é também a história do Brasil.

 

03. Uma Noite em 67

Muito antes dos The Voice e afins, o Brasil realizava festivais musicais na “extinta” TV Record. A qualidade das músicas, aliada ao momento político da época geraram canções atemporais, uma aula de metalinguística, ironia, ideias e ideais.

 

04. Loki – Arnaldo Baptista

Após o fim dos Mutantes, Arnaldo Baptista criou um dos discos mais respeitados da história. Só que esse processo não foi simples, tampouco feliz. E conhecer a história do Arnaldo é conhecer parte do início do rock no Brasil.

 

05. Bizz – Jornalismo, Causos e Rockn´roll

Talvez a publicação impressa mais importante para o rock brasileiro na década de 80, a Revista Bizz ganha um mini documentário que conta um pouco de sua história que se funde com a história de casas noturnas, bandas de garagem, Rock in Rio, e muita polêmica.

Blogs – Ricardo Alexandre / 2013 no retrovisor: Vingança

O funk ostentação é o monstro gerado sob nossa paixão consumista, emergindo com fome.

Miley Cyrus arfando por atenção no Video Music Awards é constrangedor porque somos bobos: sempre haverá gente recorrendo ao sexo e à esfregação para voltar às manchetes. Agora, se 2013 teve um momento emblemático vindo de uma premiação musical televisiva, não foi Miley no estrangeiro, foi Anitta agradecendo uma das medalhas do Prêmio Multishow.

Leia mais.

Quem quer votar?

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Ano que vem tem eleições para presidente. Fiquei tentando lembrar quando e para quem foi meu primeiro voto. Nem imagino. Mas fiquei com o assunto na cabeça, matutando se esse meu interesse por política começou em algum momento. Na verdade, eu sempre foi um insatisfeito com essas coisas. Crescer sem os benefícios financeiros advindos de um pai rico não foi fácil, apesar de me fazer virar uma criança criativa e não conformada. Acho que foi no final dos anos 80 em que o rock’n roll nacional estava bombando, e tinha gente brincando, tinha gente namorando, mas também tinha gente batendo.

No mesmo ano de lançamento do hegemônico “Que país é este?”, 1987, eu comprei um disco que ninguém esperava. Pouco alarde foi feito, ainda mais quando todas as rádios gritavam a voz de Renato Russo, bradando, do Amazonas ao Araguaia, na baixada Fluminense, no Mato Grosso, nas Gerais, mesmo estando tudo em paz no Nordeste, sua visão do governo brasileiro, ainda mais estando tão próximo da sede.

plebe-rude-versoEu nem imagino como esse disco se saiu em vendagens, sei que o do Legião, segundo o site musiconline, vendeu mais de um milhão de discos desde que saiu. Também, o disco tem uma força avassaladora e, ainda mais, tinha que suceder “Dois”, considerado por muitos fãs (inclusive eu) como “o” disco do Legião. Na verdade, muitas bandas dos anos 80 tinham o culhão de bater de frente com o governo, seja diretamente ou indiretamente. Além disso, haviam os que tinham um som e atitude bem definido, os que só queriam fazer um bom som, os que queriam ganhar dinheiro, e havia a Plebe Rude.

Sou fã da Plebe por causa do segundo disco. O primeiro, “O Concreto Já Rachou” é legal, tá, tudo bem. Mas era muito inconsistente em peso. Havia coisa espetaculares como “Brasília”, como havia bobeiras legais (“Sexo e caratê”) e a que eu não aguento mais ouvir, mas que funcionou bem para apresentar a banda. No primeiro disco, a Plebe mostrava que tinha algo a dizer, mas não exatamente o quê. Em “Nunca Fomos Tão Brasileiros” tudo ficou claro. A merda estava sendo jogada no ventilador de uma forma poética, firme e ousada, evidenciando que era um lançamento fora de seu tempo.

“Bravo Mundo Novo” é de um preciosismo sinistro. Abre o disco com força e conteúdo. “Bravo mundo novo está nascendo e pelo visto, vai te surpreender um dia… “. As vozes de Phillipe Seabra e Jander Billaphra se alternam num crescendo visceral, com belos violinos ao fundo e a bateria de Gutje aliada aos acordes de André X. Um desbunde de abertura para um disco.

O que se segue é uma ode às novas tecnologias. Com “Nova Era Techno” havia um prenúncio de como ficaríamos para trás em relação às máquinas, e posteriormente dependentes delas, no dia a dia e na vida pessoal. “48” é uma das minhas favoritas, também prevendo o abuso das nossas horas extras e como um final de semana não é o suficiente, com uma letra simples, direta e básica. “Não tema”, explora, mais uma vez, o momento de sobriedade da banda, antagonizando o modus operandi das nossas vidas em relação ao que tememos fazer (“Não tenha medo de se divertir / não tenha medo de falar de sorrir…/ não fique em casa vendo o Fantástico…”). “Censura”, se não me engano, foi a tentativa de se fazer uma segunda música de trabalho para vender o disco, mas com a própria tesourando a torto e a direito, evidentemente as rádios não deram a devida atenção. “Nada” é tão bem construída musicalmente que fica difícil imaginar sendo tocada no rádio no final dos anos 80, não tinha nada a ver com o que a maior parte da moçada estava afim de ouvir. A letra é forte e coloca a gente pra pensar, infelizmente, mais uma vez, à frente de sua época. Os primeiros acordes de “Nunca fomos tão brasileiros” são puro anos 80, mas quando a voz de Jander entra em cena, o discurso é tão forte e introspectivo que só mentes um pouco mais esclarecidas podem acompanhar, mas a música é tão bem estruturada que fica difícil não refletir um pouco, e é exatamente aí que eu acredito ter sido o ponto positivo para a Plebe, mas negativo para o público. Apesar do terceiro disco do Legião ter a pegada “chutar o balde”, Renato Russo contava a história cativante de João de Santo Cristo, fazia a moçada dançar e desligar o cérebro em “Química”, e botava o povo pra se beijar em “Angra dos Reis”. Havia uma cadência comercial ali. “Nunca Fomos Tão Brasileiros” não tem essa intenção. É um chute no saco. E pronto. A música de trabalho escolhida foi “A ida”, que começa com “Quem tem a razão / um burocrata ou um padre com o evangelho em mãos…”. A gravadora até que tentou, mas com um material desses em mãos, fica difícil fazer Revoluções por Minuto. No terceiro ato do disco, “Consumo” escarnecia a própria gravadora e dizia que a Plebe não era pré-fabricada. Era praticamente um atestado de “não nos comprem como compram o Paulo Ricardo”. Na sequência, “Códigos”, uma música tão forte e sensata, praticamente fechava um disco perfeito, com arranjos sensacionais e letras ferinas, antecipando novamente, refletindo George Orwell em cada uma das linhas. “Mentiras por enquanto” fecha o disco, fazendo o ouvinte entender que a Plebe tinha algo muito forte a dizer, mas que talvez não fosse a época certa (“Você sabe que não estou aqui, para te converter / Você sabe que não estou aqui para rezar para infiéis”…).

E assim termina um disco preciso, inabalável, e que, como pouquíssimos nos anos 80, com algo centrado e com algo a dizer. Talvez a Plebe não tenha tido o grande sucesso que esperava, ou talvez não quiseram perder sua identidade, isso não dá pra saber. O fato é que em 1987, eu ouvi muito mais “Nunca Fomos Tão Brasileiros” do que “Que País é Este?” não só pelo seu conteúdo ou pelo sensacional projeto gráfico (mais uma vez, para a época, inovador), mas sim porque aqueles 4 caras tinham algo muito forte a dizer pra mim, aquele garoto de 13 anos. E se algum disco teve tanta influência no meu modo de ser e pensar sobre política, governo, direitos e deveres, esse disco foi o segundo do Plebe Rude.

E se os caras foram tão ousados e visionários, a ponto de convencer uma gravadora a fazer um disco desses, eles merecem todo o meu respeito. O terceiro disco não virou. A Plebe não virou do jeito que era esperado. Mas que deixaram uma marca forte, uma cicatriz no rock’n roll nacional, ah, isso deixaram.

 

P.S. O disco, na verdade, termina com uma versão de “Proteção”, sucessão do primeiro disco. Aposto que isso foi coisa da gravadora, que temia que o link entre o disco e a banda não fosse acontecer e prevendo um possível mau investimento. Totalmente desnecessária, por isso, nem a credito.

No Youtube / Vzyadoq Moe

vzyadoqmoe-oapiceOs  anos 80 foram uma época criativa para o rock brasileiro. Enquanto as bandas brigavam para pegar uma parte da fatia do “sucesso” através de fórmulas que estavam sendo sugadas à exaustão, ainda haviam algumas que queriam descobrir sua identidade, independente de fazer parte do establishment e da mídia.

A banda sorocabana de nome impronunciável Vzyadoq Moe (que foi batizada, na verdade, por uma escolha aleatória de letras) correu por este caminho. Inserindo elementos de arte, poesia, experimentalismo e guitarras frenéticas, a banda conseguiu ser respeitada pelos críticos, mas nunca atingiu o estrelado da época, sendo aclamada posteriormente pela turma underground. Independente, o disco é um marco do diferente, da ideologia e da criatividade.

Conheça um pouco do Vzyadoq Moe no Canal Youtube Reverberre!

Vivendo e Não Aprendendo

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Exatos 10 anos depois, uma nova edição de Dias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80, de Ricardo Alexandre,  surge em minha vida. Uma década atrás, esse livro reescreveu boa parte de como eu via o movimento musical que permeou boa parte da minha adolescência e me fez ter uma curiosidade sobre como chegamos até aquele momento. Afinal, havia Plebe Rude, mas também havia RPM e, mesmo parecendo similares, estão a anos luz de distância em termos de trabalho e fundamentação, mesmo que o grande público não conseguisse enxergar. E não havia ninguém que ainda houvesse conseguido sintetizar essa dicotomia em palavras, explicando passo a passo essas nuances durante a ressaca pós anos 70. Dias de Luta foi um marco na organização das ideias, casos e histórias de uma geração que mudou a cara do rock brasileiro, para o bem ou para o mal. E uma grande sacada foi dar os devidos destaques aos movimentos não agregados pela grande mídia, como o punk e o rap, que tiveram seus respectivos valores respeitados na obra.

O livro é farto em informação, um registro definitivo da época. Nele você vai encontrar fatos detalhados de como foi a mudança de trajetória dos Tropicalistas para o escracho dos primórdios do rock brasileiro, e como a indústria usou isso em seu favor, ganhando muito dinheiro e sugando o que dava do movimento. Vai ter uma visão geral de bandas em início de carreira, como o Titãs, Paralamas, Legião, Plebe Rude, entre muitos, as adversidades, parcerias e como se comportou uma geração que, além de uma transição musical, enfrentava uma mudança política e econômica, e como isso repercutiu no conteúdo das composições. Como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outras localidades, tinham suas próprias peculiaridades e como isso convergiu para a exaustão completa do segmento. Qual a importância do movimento punk de São Paulo, os “jabás” e os programas de televisão, como artistas driblaram a censura da época e usavam o sarcasmo em suas letras, bandas que foram estruturadas e planejadas conforme padrões internacionais, os incompreendidos e aqueles que não quiseram ceder ao sistema. Tudo isso somado a vários depoimentos, casos, influências e fotos da época, mostrando o ápice da cultura pop brasileira.

Obrigatório não apenas para quem quer conhecer um pouco mais da música brasileira, mas também para quem quer conhecer um ponto de vista histórico sobre o sofrível momento do Brasil.

PS: A nova edição atualizada incorpora muitas informações novas, citando mudanças e updates até 2012 (acredito que a informação mais recente é a volta da 89 FM) e artistas que faleceram. Além disso, há um apêndice com as 50 melhores músicas dos anos 80 selecionadas pelo autor. Há também um ótimo Video Release online.

Agradecimentos especiais a Alan Nisiyamamoto por ter me emprestado o livro na década passada, e para Rafa e Tati, que me agraciaram com um presente fantástico.

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img-1014066-dias-de-lutaDias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80

Ricardo Alexandre

Editora Arquipélago / 440 pág.

Info: http://www.arquipelagoeditorial.com.br/diasdeluta/o-livro/